Inovação Social Aberta
A indiana Sushmita Grosh criou uma competição global que conecta empreendedores sociais, interessados em melhorar o mundo, as empresas e investidores dispostos a apóia-los.
Uma das perguntas que mais atormentam os especialistas em terceiro setor é: como dar visibilidade e escala às soluções que podem ajudar a resolver as mazelas do mundo? A indiana Sushmita Grosh encontrou uma resposta. Sushmita é jornalista e foi editora-executiva da Surya, uma revista indiana. Havia deixado o posto e trabalhava como freelancer para importantes publicações do país, quando conheceu a Ashoka, uma organização internacional de apoio ao empreendedorismo social. “A Ashoka procurava uma pessoal com perfil generalista e que pudesse reconhecer uma boa idéia quando visse uma”, Afirma, “Achei interessante e decidi me envolver.” Sushmita começou como representante da Ashoka na índia , dedicando 30% de seu tempo à organização. Chegou a presidência mundial e hoje é presidenta emérita.
Sob sua responsabilidade está o changemaker´s – programa que começou como uma revista impressa sobre empreenderorismo social e hoje é uma plataforma inovadora que faz a ponte entre empreendedores com idéias promissoras e organizações interessadas em apóia-los.
A base do changemaker´s é a competição colaborativa. Nunca ouviu falar? Funciona assim. No site www.changemakers.net grandes empresas e investidores parceiros da Ashoka anunciam competições que têm como objetivo encontrar as melhores soluções para grandes questões sociais e ambientais.
O Citi, por exemplo, patrocina agora uma competição sobre microcrédito e busca modelos que permitam levar serviços financeiros às populações mais pobres. A Nike lançará, em breve, um concurso com o objetivo de identificar iniciativas esportivas em comunidades – mais precisamente na vida das mulheres.
A Robert Wood Johnson Foundation já recorreu ao Changemarker´s para encontrar projetos inovadores de combate à violência doméstica, e a coca-cola patrocinou um concurso sobre o acesso à água potável.
Empreendedores do mundo todo que desenvolvam ações relacionadas aos temas propostos inscrevem no site seus projetos. Em fórum online, interessados e curiosos podem enviar perguntas e dar sugestões – o que faz do changemaker´s uma plataforma aberta de colaboração. Uma banca de especialistas do programa seleciona os finalistas com base em critérios como inovação, impacto social e sustentabilidade. A votação finals das propostas é feita pelo público e os projetos vencedores ganham prêmios em dinheiro e visibilidade internacional.
“Queremos usar o esporte para promover a transformação social e o changemaker´s nos ajuda a identificar iniciativas que tenham essa visão”, diz Ziba Cranmer, responsável por inovação social da Nike. “Também pretendemos usar essa parceria para trabalhar em temas como desenvolvimento de produtos sustentável .” No primeiro concurso realizado pela Nike com o changemakers foram inscritos 379 projetos de 69 países, Mark Parker, CEO da Nike, participou da escolha dos finalistas. Um dos vencedores foi o programa da Rede Jovem, ONG do Rio de Janeiro que divulga vagas de emprego e oportunidades gratuitas de esportes, lazer e cultura para jovens carentes.
“O Changermake´s foi pensado como um serviço que pudesse atender às necessidades tanto do setor social, quanto do setor privado, interessado em investir na transformação da sociedade” diz Sushmita. “ O objetivo é promover inovações de forma rápida, acessível e transparente, e de uma maneira que envolva a criação de comunidades.” Sushmita está orientando a estruturação do changemakers no Brasil e competições locais devem começar em breve.
REVISTA ÉPOCA NEGÓCIOS – Edição novembro 2008.
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